sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sinceridade não o interessa

         O que os olhos não vêem o coração não sente.  Nunca gostei deste ditado. Pra mim, se os olhos não enxergam algo que existe e o dono (a) do coração fica feliz por isso, de que adianta nada sentir ? Aliás, a escolha de preferir não saber é triste, significa que alguém escolhe a presença da mentira confortante do que o sofrimento da dor.
        Mas, quem é que gosta de sentir dor ? Ninguém. Ou pelo menos ninguém ‘normal’.    O que não significa que pra isso seja necessário viver uma vida de ilusão. Assisti um filme dia desses (não lembro o nome) que conta a história de um lugar que as pessoas não conhecem a mentira. Não gosto de extremos e acho sim que certas ‘mentirinhas’ são necessárias para não magoarmos gratuitamente as pessoas.
        Eu não gosto de mentir, já fiz com alguém por alguns anos. E vejam só, não é difícil falar a verdade, pelo contrário, é viciante, as vezes não consigo controlar.  Ouvi hoje de uma pessoa que é fácil falar a verdade, que é fácil magoar as pessoas com a sinceridade extrema e que quem age assim normalmente não agüenta a verdade.
        Sempre acreditei que a verdade oportuniza ao outro o conhecimento das possibilidades, a real chance de se escolher um caminho. Mas, o irônico é que quando se é sincera com alguém e deixa-se isso bem claro gera-se também uma ilusão disfarçada de expectativa. A expectativa de que o ser sincero em questão um dia se transforme e a um dia a verdade ouvida passará a ser aquela ao qual se espera.
        Chance sempre há. Mas, se passamos seis meses esperando esse acontecimento desmotivado, tem algo errado. E não é com quem se espera a mudança, mas com quem diz que só fala a verdade. Dizer a verdade, pelo jeito, é um modo de brincar com os sentimentos alheios, é uma forma de ilusão.
         Foi aí que eu perguntei: -o que sobra além da verdade e da mentira?  Nada, eu mesma respondi. 
             -Sobra o sentimento, a permissão e principalmente a disposição.  Bom, embaralhei as cartas, distribui à mesa e baixei a mão, esperei seis meses e paguei pra ver. A próxima jogada é sua,joga,  vira as cartas ou a banca acaba com o jogo. E aí ? O que vai ser ?
             -Royal straigth flush!
             -Significa ?


             - Muita disposição.


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A presença do nada.


          Por diversas outras vezes eu escrevi motivada pela saudade, alegria, tristeza, raiva e uma certa ilusão de amor (sim, ilusão), sempre escrevi tomada por algum sentimento seja ele justo ou não.  Hoje não é diferente, escrevo movida pelo nada.
Sim, o nada é um sentimento. Nada é tão ruim, nada é tão bom, tudo se vai levando.  Ouvi  de uma amiga uma vez que não sofrer, não sentir dor pra ela já é o bastante e eu, claro, nunca concordei com a afirmativa.                É vazio, sentir o nada.  
           E não, não me acho uma pessoa  vazia. Sou cheia, cheia de coisas que eu não queria ser, cheia de duvidas sobre quase tudo, cheia de inúmeras idéias e pensamentos que mudam mais rápido do que algo que mude bem rápido, não consegui pensar em nada agora.
Insisto na idéia do nada ser um sentimento, ou pelo menos uma evolução de outros pequenos sentimentos e impressões.  A minha indignação, minhas duvidas, minhas criticas evoluíram para o nada e esta evolução não induz em uma melhora, mas apenas em mudança.
           O nada não significa que perdi tudo isso, que não tenho reações para o que me acontece e o que acontece ao meu redor.  Pelo contrário,  o nada me faz discutir, brigar e defender  tudo com um pouco mais de ânimo. Difícil de entender? Nem me fale.
           Não acho que o que eu estou escrevendo faça sentido para alguém além de mim e também não acho que isso importe muito.
          Na verdade, esse nada me deixa bem cheia, cheia de tudo isso, de todos e de um nada. Não estou vazia, estou repleta de medo, o medo de ficar igual aqueles que hoje me rodeiem. De ficar igual a tudo o que eu sempre trabalhei para não ficar. Deus nos livre, deus me livre. A não.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Minha utopia particular

E eu que sempre tão preconceituosamente apontava a paixão alheia pelo dinheiro e pelas coisas que ele lhe traz, me pego presa a essas necessidades tão superficiais, lutando contra todos os meus princípios. E não pela necessidade do dinheiro,o que é pior, ou pela vontade de acumular bens materiais, mas por ter em mim mesma outros princípios que nesse momento eu escolhi priorizar.

 No dicionário hipocrisia  é: o ato de fingir ter crenças, virtudes, idéias e sentimentos  que a pessoa na verdade não possui. Pro meu vocabulário é viver de forma diferente do que se acredita. Pois bem, me enquadro. Sou assim.  

Eu sou aquela que surta do nada, que usa compulsivamente o mesmo remédio pro nariz, que ri sozinha, que faz de tudo pra ter um sorriso seu, que não gosta de alguém só por não gostar,assim, de graça. Que tenta encurtar todas as conversas com pessoas chatas. Que acha que um dia vai ser capaz de mudar o mundo ou pelo menos parte dele, com pequenas ações. Sou quem não consegue mudar o controle que certas coisas e pessoas tem sobre si.

Eu deveria andar mais descalça, me deixar ser salva mais vezes, me irritar menos com o ciúmes absurdo que tudo me causa, ser mais impaciente e não aceitar essa corrente, que só eu vejo, e que me prende onde eu não queria estar.

 É, eu deveria ter mais alma, ser mais de boa, ser mais leve e definitivamente não falar tudo que eu penso, deveria jogar tudo pro alto, andar de moleton, meias e havaianas, dormir todas as tardes. É, eu deveria ser mais feliz. 

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Release


Tem gente que quando esta estressada corre, nada, fuma..Eu escrevo. Então vamos lá, aliviar a minha tensão.  


Hipocrisia me irrita, me consome e me mata de ódio. Na minha época, não significava não. E sim, sim.  Li esses dias que o sim é o novo não e que o que pega é fazer joguinhos no amor. Ridículo. E mais ridículo ainda é ver isso na atitude de pessoas com seus trinta e poucos anos. Não que eu ache que maturidade e idade estejam proporcionalmente ligadas. Deveriam. Mas, já desisti de acreditar nisso.
Pra mim, regras e normas sociais/ morais servem apenas como um modulador, com um único objetivo: sejam todos iguais, façam o que a gente manda e vão viver bastante e ‘bem’.
Eu não vivo bem. Não vivo bem do jeito que você quer, que você espera. Eu não sou politicamente correta, não sou meiga, não falo coisas só pra te agradar. Eu não sou aquilo que você esperava de mim, não sou de Áries, não gosto de acordar cedo, não faço academia por prazer, não fico depois da aula porque sou interessada, não deixo de sair com os amigos pra te fazer feliz, não consigo controlar a minha possessividade extrema. Não consigo ignorar as suas sms, não dá. Não respeito nada que comece com ‘é proibido’. E sim, eu sou advogada. Por quê ?
Eu sou muito menos do que eu queria, mas muito mais do que você deve achar que eu deveria. Eu sou as cervejas que eu tomo, as verdades que eu falo quase sempre em tom de brincadeira, pra não te assustar tanto, eu sou a música alta no meu quarto, a praia do tombo ao amanhecer, sou os segredos que eu guardo, sou aquela nossa conversa séria.  Eu sou sãopaulina, sou um trecho dos mil livros que eu fichei desesperadamente e sem objetivo nenhum, sou a cicatriz na perna por pular uns muros de casas nos Astúrias.
Eu sou o seu melhor sorriso, aquele abraço que você nunca teve, aquela palavra que nunca foi dita, eu sou a minha raiva de não ter pulado de paraquedas e feito balonismo ainda, eu sou as promessas que eu me faço para todas as segundas-feiras do ano e que eu nunca cumpro.
Eu sou a irritação por não participar de todos os seus sorrisos, de todas as conversas , eu sou o meu ciúmes de tudo e todos, eu sou a vontade de quebrar a cara de todo mundo e a falta de força física que me impede. Eu sou a minha impulsividade em falar primeiro e pensar somente depois.
Eu sou todos os meus textos, sou a minha mania de escrever repetindo palavras, sou o meu pulso direito que estrala toda hora, sou tudo que é provisório e quase nada que é permanente. Sou insegura, indecisa e quase sempre insensata.
Sou tudo o que falo, respiro, sinto, bebo e fumo. Sou aquilo que você nunca vai entender. Eu sou a eterna saudade de outubro de 2010. Eu sou o ‘foda-se’ enquanto bêbada e o ‘fudeu’ no dia seguinte.
Eu sou o que eu discuto, o que eu defendo. Eu sou àquela que não mantém como seu ideal de felicidade: um carro, uma mansão e muito menos um cara ricaço pra me bancar. Sou aquela que desvaloriza exatamente tudo isso. E que idealiza um par de havaianas, uma mesa de bar e os amigos todos bem perto. Eu sou aquela que esta sempre disposta a salvar os amigos. Em todos os sentidos possíveis e naqueles que você nem de longe imagina.
Ei, eu sou aquela que não importa o que você pense e o quanto isso ainda possa me prejudicar, vou continuar dizendo: Eu quero que se FODA essa porra de sociedade. 

sábado, 2 de abril de 2011

Um manifesto vazio

Pessoas me irritam. Bichos me dão medo. A solução é viver sozinha? Sou chata, eu sei. E não, não estou na TPM. Sou assim normalmente o que agrava tudo um pouco.
Não gosto de horas iguais. De salto alto. De pessoas superficiais. Não gosto de tecnologia. De modernidade. De preconceito. De pessoas que me olham por ir pra aula de havaianas roxa. Não gosto de viver em função de alguém. Buscando coisas que não são minha essência. Não gosto de não saber qual é a minha essência.
Não gosto de fingir que você é legal. E que aquela brincadeira não me dói. Ou que não estou cansada em fazer tudo ao mesmo tempo. Não gosto de não poder ajudar as pessoas com o que eu acho que sei fazer de melhor. De não fazer diferença no mundo. De não ser politicamente ativa. E de não ser por não querer me misturar com políticos que relacionam homossexualidade com promiscuidade. Não gosto de não poder mudar isso.
Não gosto de ligar a TV e perceber que pago 200 canais pra não ter novidade. Pra ver o mesmo filme dez vezes. Não gosto de não ter tempo de ver o mesmo filme dez vezes. Não gosto de morar ao lado de um parque. E não poder correr todos os dias. De ir correndo pra aula. De sentir sono o dia inteiro. De ler coisas por obrigação. E de não ler o que eu quero. Não gosto de saber que as coisas não mudam. E que o meu irmão continua estudando as mesmas coisas inúteis que eu estudei. Não gosto da estática. E do que não esta ao meu alcance. Não gosto de querer muito uma coisa e não tê-la. Não gosto de responsabilidade. De não dizer não pra certas pessoas. Da expectativa e decepção que elas me causam.
Não gosto de ter magoado quem magoei. De não ser mais as ultimas ligações de um alguém. Não queria ser ciumenta e possessiva, mas gosto de ser escorpiana.  Queria viajar mais e que tudo sempre parecesse com um comercial de cerveja. Queria sentir nas segundas-feiras o que sinto nas sextas. Queria que todos estivessem em SP quando eu também estou. E que ninguém saísse quando eu não posso ir (possessiva, lembra?). Queria fazer aula de fotografia e gastronomia. Queria participar de todas as piadas internas.  Queria não engordar comendo brigadeiro. Não precisar dormir tanto e não dormir tão pouco. Queria que me pagassem pra estudar o suficiente pra só estudar e nada mais. Queria meus amigos morando todos aqui perto, no mesmo bairro, no mesmo prédio. 
Queria que certas coisas não fossem crime. Queria andar mais de bicicleta. Sentir mais o vento no meu rosto e que ele não bagunçasse todo o meu cabelo. Queria não ter pensamentos tão superficiais. Queria não ter medo de expor alguns pensamentos, algumas vontades e quase todas as minhas opções. Queria não julgar tanto as pessoas e quem sabe ser julgada menos também. Queria mais sinceridade e menos traição. Queria poder chegar pra você e falar tudo o que eu pensei. E que todas as ceninhas que eu já imaginei na minha cabeça se realizassem. Queria que esse texto não ficasse piegas. E que quando você lesse soubesse o real sentido disso tudo. Queria realmente que você fosse personificado. Ah, eu queria mesmo você. Queria o tempo, aqui, todo pra mim.

sábado, 26 de março de 2011

Bobeira é não viver a realidade

Abrir mão das coisas que se quer fazer por alguém não é bom, não é certo. O problema é que quando nos importamos , gostamos mesmo de alguém , acabamos por priorizar as vontades dessas pessoas, seja em relação de amizade, amor ou familiar. É difícil dizer não, é difícil se impor, ainda mais quando existe uma dependência envolvida, financeira, sentimental e moral. Eu por muitas vezes deixei  de fazer as coisas pra agradar ou não magoar alguém, fiz isso durante muito tempo. Mas, os anos passam, você se desilude, se irrita e percebe que não vale a pena e que ninguém vai pensar duas vezes em te dizer não, quando o interesse deles se sobrepuser aos seus sentimentos.   
Se você é uma dessas pessoas que faz de tudo pelos outros e quase nada por si mesmo, um aviso: Não vivemos naquele país que o Saramago descreve nas ‘ Intermitências da morte’, aquele que ninguém morre, sabe ?  Só temos uma vida, uma só e que se vai sem data determinada. Viva ela intensamente, do jeito que você entende correta, porque se arrepender por escolhas nossas é triste, mas se arrepender de uma vida guiada por outras pessoas além de triste é covardia. Não, não te acho covarde. Tudo tem o seu tempo, mas não deixe de aproveitar a vida, a sua vida. Sim, ela é sua, juro.
E se hoje, justamente hoje , que você deixou de sair pra agradar alguém que nem vai querer desfrutar da sua companhia, fosse o dia que você conheceria o amor da sua vida ou aquele amigo que pode ser seu ombro pra vida inteira , ou até mesmo conhecer alguém que arranque um único e sincero sorriso seu, valeu mesmo a pena ? Valeu ?  E por  que você, logo você, tem que abrir mão de tudo. Os outros não podem abrir mão do falso moralismo por você ? É, eu quero sim te ver feliz.
E como diria o poeta : Bobeira é não viver a realidade!